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    Sofia Camilo

    Diário de Bordo

    Diário de Bordo #4

    Para dar início à escrita deste diário de bordo, a modos que vou resgatar um tema que já abordei anteriormente: o primeiro, o primeiríssimo, destes registos quinzenais da minha experiência a viver nesta pequena (e cada vez mais especial) ilha no meio do Mediterrâneo.
    As pessoas.
    As pessoas que tenho encontrado, com que me tenho cruzado aqui em Malta têm tornado esta experiência infinitamente mais rica. Pois tive a sorte de encontrar as pessoas certas. Não obstante os altos e baixos e os obstáculos no caminho, a gente boa que me tem acompanhado neste percurso tem tornado tudo mais fácil. Desde os colegas de trabalho, que me receberam – e todos os dias recebem – tão bem na empresa, que me ajudam e que me dão as melhores dicas de sítios a visitar, comida local a provar e atividades a experimentar nesta minha breve passagem pelo país; aos meus colegas – e amigos – de casa, com quem tenho passado alguns dos melhores momentos da minha estadia, entre jantares caseiros, serões de jogos de cartas, noites de karaoke, uma ida mais à Lagoa Azul e um pôr-do-sol em Golden Bay – do qual regressei com uma “tatuagem” não solicitada de uma alforreca para levar como souvenir de Malta; até aos locais com quem contacto numa base diária…enfim, as pessoas aqui são tão especiais quanto esta ilha também o é. E dão ainda mais cor a um país, por sua vez, repleto dela.
    Um grazzi (sentido) à malta de Malta!

    Diário de Bordo #3

    E já se passaram mais duas semanas em Malta…
    É mesmo verdade que o tempo passa a uma velocidade impressionante.
    Entretanto, e porque a vontade não era pouca, já dei o meu primeiro mergulho do ano nas águas turquesa da Lagoa Azul, assinalando também a primeira vez  que saí da ilha de Malta para visitar uma das suas irmãs, a pequena, mas bela, ilha de Comino – das três, provavelmente, a mais intocada pelo Homem.
    Entre mergulhos e caminhadas pelos altos e baixos de Malta (em sentido literal e metafórico), tive a oportunidade de, nas horas vagas, continuar a conhecer outras regiões da ilha e, aos poucos e poucos, continuar a explorar o polo cultural da cidade de Valletta, em plena semana da Páscoa.
    Em Malta, devido ao passado acentuadamente católico do país e às ainda muito presentes tradição e conexão, especialmente das gerações mais velhas, à religião, a Páscoa é celebrada em grande e é um feriado certamente levado em conta pelos malteses. Mesmo sendo eu assumidamente agnóstica, e não me sentindo particularmente ligada a qualquer religião,  sendo inclusive crítica face aos seus dogmatismos, fiz questão, ainda assim, de espreitar estas celebrações, pela curiosidade em ver (e perceber) como é que os locais vivem esta época festiva.
    Ao mesmo tempo que, por um lado, as ruas de Valletta, das Três Cidades e de tantas outras se enchiam de festas e procissões, por outro, decorria o Bienal de Arte de Malta, um evento que traz obras e instalações artísticas diversas – que traz a arte, em geral! – de vários artistas (malteses e estrangeiros) a alguns dos edifícios históricos mais emblemáticos do país. Se, por um lado, decorria uma tradicional celebração religiosa, por outro, acendia-se o diálogo entre a herança e a contemporaneidade.
    E foi interessante ver este contraste. O contraste entre o tradicional e o vanguardista. Entre o antigo e o moderno. Entre a herança cultural, artística e arquitetónica deixada pelos mestres do passado e os novos temas, estéticas, abordagens e preocupações trazidos para a mesa pelos artistas contemporâneos. Algo que, em Malta, se sente na arte e na própria vida, não fosse este país um caldeirão cultural de acentuados contrastes.
    Espero continuar a embrenhar-me na cultura de Malta no tempo que aqui me resta, pois se há coisa que gosto em passar umas temporadas fora é voltar a casa sempre a saber um bocadinho mais sobre os sítios por onde vou passando e sobre realidades diferentes da minha.

    Diário de Bordo #2

    Com o passar do tempo, tenho-me vindo a acostumar aos hábitos, rotinas e, em geral, ao ritmo da vida leve de Malta.
    Já vou conhecendo as ruas, os vizinhos, os negócios locais, e, aos poucos e poucos, “os cantos à casa”, à medida que vou explorando o que esta bonita ilha tem para oferecer.
    O estágio tem estado a correr bem, numa empresa com um ótimo ambiente, onde fui desde cedo muito bem acolhida por uma equipa amigável e disponível para me ajudar em diversas circunstâncias. Posso dizer que me sinto bem aqui.
    Estando já a ficar confortável deste lado, este último fim-de-semana decidi “pisar a linha”.
    O facto da empresa onde estagio ir fazer ponte com o feriado nacional levou-me a sair do conforto de Malta para me aventurar na Sicília. Uma viagem que queria fazer já há algum tempo e que, inesperadamente, acabou por acontecer até bem mais cedo do que esperava.
    Com tudo “planeado” em cima do joelho e com muita privação de sono à mistura, fiz as malas, muni-me de uma câmara e um rolo e parti à terra dos maffiosi numa jornada de solo travelling – daquelas que já não fazia há muito tempo e das quais já tinha saudades.
    E estou apaixonada. Numa viagem, diria eu, intensa, que teve todo o tipo de atribulações e em que todo o tipo de coisas que poderiam ter dado errado, deram mesmo errado, tive a oportunidade de percorrer esta lindíssima ilha de montes e planícies de norte a sul, de visitar a terra natal de Giuseppe Tornatore (que não é especialmente bonita, ficam a sabê-lo, mas que por todos os motivos certos serviu de inspiração a um filme que me é muito querido, o eterno Nuovo Cinema Paradiso), de ver o crepúsculo na praia de Cefalú, de conhecer a encantadora cidade de Catania, de ver uma vista lindíssima para o vulcão Etna, e de percorrer Palermo numa vespa.
    Sicília teve um pouco de tudo. Trafulhice, esquemas, momentos aleatórios de entreajuda entre quatro totais estranhas de nacionalidades diferentes, o absoluto deslumbramento que senti desde o primeiro segundo em que me vi na incrível cidade de Palermo, um jantar aleatório partilhado por sete pessoas de backgrounds e culturas completamente diferentes à base de McDonald’s, cerveja Moretti e acompanhado por um ukulele na Casa di Amici, igrejas bonitas, portentosos monumentos, lindas piazzas, alguns dos mercados de rua mais fixes com os quais tive a sorte de me cruzar nos últimos tempos, locais cheios de personalidade, um teatro romano, um tour noturno de Catania, um restaurante com uma gruta lá dentro, e muito mas muito boa comida (muita arancina e muito cannoli à mistura).
    Dicas para sobreviver à Sicília? Ufa, depois destes quatro dias, podia referir muitas. Uma delas? Cuidado com os maffiosi ahah. Digo isto, claro está, em tom de brincadeira (não vamos cair em exageros; não, a máfia não vem atrás de vocês) mas…digamos que alguns sicilianos fazem jus à sua reputação. 😛
    E já estou com saudades.
    Estou a escrever este diário de bordo a bordo do ferry em que me despeço da Sicília para regressar a Malta. E a sensação é agridoce. Foi muito pouco tempo numa ilha que, fazendo cerca de 2/3 da Bélgica, é um mundo em si…e ainda assim, em tempo recorde, já deu para experienciar tanta coisa. Certamente nunca me vou esquecer desta viagem.
    Arrivederci, Sicilia!
    De volta a Malta, venho de baterias recarregadas para continuar a retirar o máximo proveito da experiência que tem sido viver, explorar e trabalhar neste país.

    Diário de Bordo #1

    Há uma coisa em Malta que instantaneamente nos faz sentir em casa.
    Podia falar do sol, do bom tempo (ainda que, da sua média de 300 dias de sol anuais, eu já tenha apanhado 2 ou 3 de chuva em 6 de estadia), da história, da arquitectura, da cultura, das tradições, do mar, das paisagens, da comida… porém, todas essas coisas, incríveis por si só, é certo, ainda vou ter muitos dias para descobrir e redescobrir nestes três meses que se avizinham.
    Ainda assim, aquilo que em Malta nos faz sentir em casa desde o primeiro instante em que pisamos esta pequenina ilha no meio do Mediterrâneo…são mesmo as pessoas. É a simpatia. É a humildade. É a abertura. É a disponibilidade (e até iniciativa) imediatas para ajudar o outro. É o respeito. É o sorriso fácil. É a conversa leve. É o ânimo. É a curiosidade constante quando te perguntam de onde és. É o gosto genuíno por acolher quem vem de fora. É a espontaneidade com que encaram a vida. São todas estas coisas genuinamente boas que, por vezes, na correria e no ruído e no caos do nosso dia-a-dia nos esquecemos que ainda existem. Mas existem. E vale a pena parar e reparar nelas.
    Lembro-me que a Alessandra (contexto: mentora italiana da organização parceira) nos disse, quando falávamos sobre os autocarros em Malta, que o único conselho que nos dava era: “Não fiquem stressadas”. Porque estes por vezes vêm, outras vezes não vêm, outras vezes atrasam-se, outras vezes adiantam-se, e que a chave para levar a vida em Malta da maneira certa é irmos com tempo, prevenidas, mas tranquilas, e deixar fluir.
    Achei graça ao conselho e, mais ainda, à maneira de estar.
    Nem tudo corre bem em Malta e os imprevistos, já deu para perceber, são, ironicamente, parte da rotina.
    Mas os malteses levam isto com uma leveza e com uma paz que eu não só admiro, como gostaria de trabalhar.
    Se calhar pelo caminho até posso aprender qualquer coisa com eles.

     

     

     

     

    Everything Is Now.
    Learn. Do. Create.
    BEGIN HERE Get Everywhere.
    Dare To Try.