Comunidade ETIC entre a paixão e a identidade musical de Branko

Os mais de 20 anos de carreira que Branko – nome artístico de João Barbosa – carrega na bagagem são fonte de uma sonoridade musical muito própria e de um sucesso além-fronteiras capaz de contagiar quem está a dar os primeiros passos na indústria. O DJ, produtor e compositor esteve na ETIC para uma Masterclass onde abordou o seu percurso e alguns dos processos por que se veicula na criação musical. No fim, deixou conselhos e admitiu que, apesar de não saber como o faria, dar aulas sobre música era algo que o deixaria feliz: “Tenho todo o prazer em partilhar a minha experiência e aquilo que vivi e aprendi ao longo dos anos”, referiu o artista.
O caminho artístico de Branko começou a ser trilhado ainda no liceu – quando começou a explorar a produção musical em casa – e ganhou forma num verão “aborrecido” em Lisboa. Sem nada para fazer, juntou-se a Kalaf para um compromisso sem grandes pretensões, transformando a seca e o calor de um verão numa torrente de ideias que marcou o início dos 1-UIK Project. O resto é história que tão bem conhecemos, mas, nesta sessão junto da Comunidade ETIC, Branko não poderia ignorar um dos capítulos principais do seu percurso musical: os Buraka Som Sistema. O fundador da banda portuguesa falou dos bastidores deste sucesso internacional e sublinhou que sempre procurou marcar a diferença na música: “Nunca quis ser mais um artista a fazer mais uma coisa que já existia”.
Quando questionado por Ricardo Farinha – moderador da sessão – acerca da pressão que sentiu ou não em suceder na música, Branko revelou nunca ter pensado muito nisso, admitindo que o foco esteve sempre voltado para a criação e produção musical. O círculo social frequentado por João Barbosa na Grande Lisboa – cheio de músicos e partilha de ideias – e a “obsessão” pela música, levaram-no a percorrer um caminho artístico onde a naturalidade dos acontecimentos se apalavrou com o destino: “Comecei a fazer música porque não sabia fazer mais nada”, constatou.
Branko, que estudou em Madrid aspetos relacionados com a teoria da engenharia de som, não foi embora sem falar da Enchufada (label criada por si) e deixar alguns conselhos aos nossos alunos. O músico partilhou o seu endereço de e-mail com quem quisesse enviar-lhe músicas e realçou a importância de cada artista “pôr as próprias coisas a soar como deve ser”, antes de divulgar o que quer que seja. A arte de “dominar o ofício” foi outro dos pontos chave enumerados para aqueles que querem ter mais hipóteses de suceder num mundo bastante competitivo.
Depois de partilhar com a Comunidade ETIC alguns dos sons que tem vindo a produzir e o respetivo programa onde trabalha, João Barbosa proferiu a ideia de que “é mais interessante construir uma coisa sendo original do que fazer algo que já é uma versão de outra coisa qualquer”.
A Masterclass terminou entre cumprimentos, sorrisos e cumplicidade, sendo o mote que é construir uma sonoridade identitária o desafio a retirar-se de uma sessão em que ficou demonstrada a paixão que Branko sente pela música.