ERASMUS+ | THE END
Escrever sobre estes três meses em Barcelona é mais difícil do que estava à espera.
Não porque não tenha sido uma boa experiência, mas porque ainda estou a tentar perceber tudo aquilo que vivi e o impacto que teve em mim.
Quando cheguei a Barcelona, tudo era novo. Uma cidade diferente, pessoas diferentes, uma rotina completamente diferente daquela a que estava habituada. No início, senti alguma ansiedade e tive algumas dificuldades em integrar-me, o que acabou por tornar os primeiros tempos mais desafiantes. No entanto, olhando para trás, percebo que essas dificuldades fizeram parte do processo e ajudaram-me a crescer.
Ao longo destes meses aprendi muito sobre mim. Aprendi a desenrascar-me sozinha, a organizar os meus dias, a criar as minhas próprias rotinas e a sentir-me mais confortável fora da minha zona de conforto. Houve dias em que explorei a cidade sozinha, fui beber um café, apanhei transportes para sítios que nunca tinha visitado e simplesmente aproveitei o facto de estar ali. Foram momentos simples, mas que me ajudaram a ganhar mais independência e confiança.
Uma das coisas mais importantes que levo desta experiência é ter-me permitido experimentar coisas que provavelmente não teria feito se tivesse ficado no conforto do meu dia a dia. Conheci pessoas novas, participei em atividades diferentes e tentei dizer mais vezes “sim” a oportunidades que surgiam. Fui assistir a um jogo do Barcelona no estádio, uma experiência que dificilmente esquecerei, participei num run club, onde comecei a correr regularmente e conheci novas pessoas, e até fui a um encontro de voleibol. Estas experiências ajudaram-me não só a conhecer melhor a cidade, mas também a ganhar confiança para me integrar em ambientes desconhecidos.
Barcelona também me permitiu descobrir um lado mais espontâneo de mim própria. Entre passeios pela cidade, conversas, novas amizades e muitas tapas partilhadas, fui criando memórias que vão muito além do contexto profissional. Foram estes pequenos momentos do dia a dia que deram um significado especial à experiência e que me fizeram sentir, aos poucos, parte da cidade.
Ao mesmo tempo, esta experiência também foi especial porque não a vivi completamente sozinha. A Bea acompanhou-me ao longo desta jornada e foi uma pessoa muito importante durante estes meses. Partilhámos momentos bons, momentos mais difíceis, muitas conversas, passeios, descobertas e até algumas inseguranças. Ter alguém ao meu lado que estava a viver uma experiência semelhante tornou tudo mais fácil e mais divertido. Muitas das memórias que guardo de Barcelona estão associadas aos momentos que partilhámos juntas.
O estágio foi uma boa experiência que levo comigo. Desde o primeiro dia senti-me muito bem recebida pela equipa. Foi um ambiente onde me senti confortável para aprender, fazer perguntas, errar e evoluir. Para além de me permitir desenvolver competências profissionais, o estágio deu-me uma visão mais próxima da realidade do mercado de trabalho e ajudou-me a perceber melhor aquilo que quero para o meu futuro. Mais do que colegas de trabalho, encontrei pessoas que me fizeram sentir em casa mesmo estando longe dela.
Se tivesse de resumir estes três meses numa frase, diria que foram uma verdadeira montanha-russa de emoções. Houve momentos de entusiasmo, momentos de dúvida, momentos de felicidade e momentos em que me senti mais perdida. Mas foi precisamente essa mistura de emoções que tornou a experiência tão marcante.
Agora que regressei a Portugal, percebo que voltar também faz parte da experiência. De certa forma, sinto que estou novamente numa fase de adaptação. Durante três meses construí uma rotina, hábitos e um dia a dia em Barcelona, e agora estou a reaprender a viver aqui. É uma sensação estranha porque estou de volta a casa, mas ao mesmo tempo sinto que alguma coisa mudou em mim.
Ainda não consigo dizer exatamente o que sinto quando penso em Barcelona. Não é necessariamente saudade, mas também não é indiferença. Acho que ainda estou a processar tudo aquilo que vivi. O que sei é que esta experiência me fez crescer muito, tanto a nível pessoal como profissional, e que volto com mais confiança, mais autonomia e uma visão diferente sobre mim própria.
Projecto Final
Diário de Bordo #7
Os últimos 15 dias passaram a correr, o que é assustador e, ao mesmo tempo, significa que foi tempo bem passado.
No início, quando cheguei, não me sentia confortável na casa, as ruas não faziam sentido para mim, tudo parecia desconfortável e novo. Queria aproveitar ao máximo, mas ao mesmo tempo não sabia por onde começar.
Agora já passaram 90 dias. É crazy pensar como esta fase da minha vida passou tão rápido. E no início tinha tanto medo de não conseguir. Hoje, as ruas já me são familiares e a ideia de ir embora parece quase como deixar uma casa para trás.
Vou ter saudades desta cidade. Vou ter saudades da confusão que antes me fazia confusão. Vou ter saudades das croquetes e dos cantores desconhecidos em cada esquina. Vou ter saudades dos passarinhos a cantar. Vou ter saudades de me sentar nesta janela onde estou agora e observar as pessoas a viver as suas vidas paralelamente à minha.
Esta semana foi cheia de acontecimentos. Fui ver o jogo do Barcelona e fui ao PortAventura, o que foi incrível. E pronto… estou a sentir um sentimento agridoce ao pensar em deixar uma casa para trás e voltar a outra, deixar rotinas para trás e momentos também.
Vou sentir saudades do estúdio onde ia na maioria dos dias e daqueles que deixo para trás. Já entreguei tudo esta semana, as últimas tarefas, e espero que o meu trabalho tenha enriquecido um pouco mais o deles. Aprendi muito, tivemos momentos de convívio, reuniões, comecei a ganhar um gosto ainda maior pelo motion design e agora vamos ver onde a vida me leva depois disto.
Mas tenho um feeling de que vai correr bem.
Diário de Bordo #6
Estes últimos dias passaram a correr, literalmente. Comecei a correr e a participar no Run Club e, em algumas manhãs, tenho ido correr até à praia. Há qualquer coisa em começar o dia assim, com a cidade ainda meio adormecida, o cheiro do mar e o silêncio da manhã, que me sabe mesmo pela vida. Tem sido uma rotina simples, mas que me tem feito sentir bem e muito mais presente.
Aos poucos, começo também a sentir-me mais em casa aqui. Já tenho os meus caminhos preferidos, já entro no metro sem precisar de pensar demasiado, já sei onde beber um copo ao final do dia e descobri um sítio incrível e super descontraído para comer tapas que acabou por se tornar um daqueles spots aos quais quero sempre voltar. No fundo, começo a sentir-me meio local e isso faz-me perceber que provavelmente me vai custar um bocado voltar daqui a 15 dias.
No estúdio, as coisas também têm andado intensas, mas boas. Tenho estado a trabalhar em novos projetos, especialmente na identidade gráfica de um baralho de cartas, um processo muito focado em detalhe, conceito e narrativa visual. Ao mesmo tempo, tenho feito vídeos para campanhas publicitárias, o que me tem permitido explorar mais motion e experimentar linguagens diferentes. Sinto que tenho aprendido bastante e ganho mais confiança no meio de tudo isto.
Diário de Bordo #5
Dois meses em Barcelona e já me sinto em casa
Já conheço as ruas aqui à volta, os sítios bons para comer e onde ir beber um copo tranquilo.
Estas semanas foram cheias de coisas boas. Fiz novos amigos, fui ao pilates no meio da rua, fui a um tardeo que acabou bem mais tarde do que estava à espera, comi muitas tapas e passei horas em cafés a escrever e a pensar em ideias para a identidade do estúdio
Também ando nessa fase de construir tudo, tratar das redes e dar forma ao que antes era só uma ideia na minha cabeça
Eu e a Bia começámos um podcast e eu comecei a ler um livro para voltar a ligar-me ao meu lado criativo
Resumindo, têm sido semanas leves, de descoberta e de me sentir cada vez mais em casa aqui.
Diário de Bordo #4
Mais 15 dias passaram a correr e começo, inevitavelmente, a sentir que vou ter saudades deste lugar. Há qualquer coisa no ritmo dos dias, nos pequenos hábitos que se vão criando, que faz tudo parecer mais familiar.
Tenho feito um esforço consciente para sair da rotina: experimentar coisas novas, descobrir hobbies, perder-me por ruas diferentes e encontrar aqueles cantinhos perfeitos para beber um café com calma. Pelo meio, vou conhecendo pessoas novas, cada uma com a sua história, o que torna tudo ainda mais especial.
Apesar de ainda haver dias de chuva, já se sente a mudança no ar. A luz está diferente, os dias parecem mais longos e a ideia de que a época de calor e de praia está mesmo a chegar traz uma energia boa, quase como uma promessa de novos momentos e memórias.
No estágio, os dias têm sido intensos, mas muito estimulantes. Estou a trabalhar no rebranding da nova identidade visual do estúdio e no desenvolvimento do brandbook, um processo que exige atenção ao detalhe, mas também visão criativa. Tenho procurado contribuir com ideias que consigam equilibrar uma estética mais sóbria e consistente com apontamentos mais experimentais, criando algo que seja ao mesmo tempo coerente e distintivo.
Diário de Bordo #3
Um mês depois, sinto que começo realmente a fazer parte deste lugar.
Já não ando perdida nas ruas, há caminhos que faço quase em piloto automático, cafés onde já me reconhecem, pequenos hábitos que se foram criando sem dar conta. A cidade deixou de ser apenas um cenário novo e começou a ganhar significado.
No estágio, continuo a aprender bastante. Tenho tido contacto com ferramentas que nunca tinha usado e isso tem sido ao mesmo tempo entusiasmante e desafiante. Há dias em que tudo flui e outros em que me sinto mais perdida, mas começo a aceitar que faz parte do processo. Tenho também explorado abordagens mais experimentais, o que me obriga a sair da zona de conforto e a confiar mais no meu próprio julgamento.
Nem tudo é fácil. A saudade de casa aparece em momentos inesperados, às vezes nas coisas mais simples. A solidão também pesa de vez em quando, sobretudo quando o dia abranda e há mais espaço para pensar.
Ainda me estou a adaptar a este ritmo e a esta nova fase, mas tenho tentado não me exigir demasiado.
Levar um dia de cada vez tem sido a melhor estratégia.
Diário de Bordo #2
E assim passaram mais 15 dias.
Tenho-me estado a adaptar a uma nova rotina, a novas pessoas e a novos ambientes.
Uns dias são mais fáceis do que outros; emocionalmente nem sempre é simples lidar com tantas mudanças ao mesmo tempo, mas sinto que tudo isto faz parte de um processo de crescimento e aprendizagem. Aos poucos vou encontrando o meu ritmo e criando alguma estabilidade no dia a dia.
Entretanto, tive visitas, o que me fez voltar a casa por uns dias. Foi bom poder rever pessoas próximas e passar algum tempo num ambiente mais familiar, o que também ajudou a recarregar energias antes de regressar novamente à rotina aqui.
Durante estas semanas tenho aproveitado para explorar bastante a cidade. Tenho feito muitos passeios e andado muito a pé, o que me tem permitido conhecer melhor os bairros, as ruas e os diferentes ambientes que existem por aqui. Já começo a sentir que me orienta com mais facilidade e que muitos dos caminhos já me são familiares. Pelo meio também tenho descoberto alguns bares e cafés muito bons, que acabam por se tornar pequenos pontos de referência no dia a dia.
Apesar de ainda haver muito para descobrir na cidade, agora também sinto vontade de começar a explorar alguns lugares um pouco mais distantes. Tenho curiosidade em visitar a Costa Brava, Girona ou até Valência, para conhecer outras paisagens, outras cidades e sair um pouco do caos e do ritmo acelerado da cidade.
No geral, têm sido semanas intensas, com muitos momentos diferentes, mas também com muitas experiências novas que fazem parte deste processo.
Diário de Bordo #1
Chegámos a Barcelona, a nossa casa nos próximos três meses.
Apesar de ainda não estarmos totalmente instaladas, já me sinto acolhida pela cidade.
Conheci a minha equipa, a Andrea, o Pacho e a Coni, a cadela. Foram super simpáticos. Mostraram-me a zona do estúdio, que é lindíssima, parece saída de um conto medieval. Tenho estado a fazer postais e cartões de visita e dão-me muita liberdade para experimentar, o que é ótimo.
As manhãs são a melhor parte. O sol, a energia da cidade, a sensação de que o meu dia pode ser exatamente aquilo que eu quiser que ele seja.
As noites são mais difíceis. Uma saudade de casa que já começa a apertar. A companhia da Bia é um bom pedaço de casa que trago comigo e faz-me sentir mais segura, mais próxima do que deixei.
Tenho tentado criar rotinas. Vou ao Pilates e trabalho.
Pelo meio, vou conhecendo a cidade. Por exemplo, agora estou num barzinho a beber una caña e a comer una croqueta de jamón.



































