Diário de Bordo #3
Em contraste com a neve com que me deparei ao chegar, agora é raro o dia em que o sol não brilhe em Vilnius. Tem feito menos frio e já vejo algumas árvores a começar a florir com a chegada da nova estação.
Nas últimas semanas, tenho desenvolvido trabalho a um bom ritmo na empresa, estando a trabalhar em dois projetos em simultâneo.
Em casa, um dos meus colegas terminou o seu período de mobilidade e voltou para Portugal, irei ficar apenas com a minha outra colega, Marielle, durante 2 semanas até chegar o nosso novo colega de casa, também de França.
Este clima mais sorridente motivou-me a ir dar mais voltas pela cidade e começar a conhecer os sítios mais emblemáticos. Fui com alguns colegas portugueses a um Tour pela Universidade de Vilnius que carrega consigo uma história extensa e muito interessante. Também visitei alguns jardins, um mercado local perto de casa e um Flea Market que me fez lembrar a Feira da Ladra, em Lisboa.
Tem sido interessante navegar as inúmeras línguas que me rodeiam, para além dos ačiū’s (obrigado’s) e os sveiki (olá’s), tenho feito um esforço para comunicar apenas em lituano em interações mais curtas. É um bom exercício que me motiva a me integrar de forma mais profunda na cidade, mesmo que isso signifique estar constrangidamente a praticar como dizer “Ar turite ibuprofeno?” no meio do passeio antes de entrar na farmácia.
No mesmo tópico também destaco as interações com a população com mais idade que, tendo um nível de inglês muito primário ou inexistente, tenta o seu melhor para comunicar connosco. Comecei também a desenvolver um projeto fotográfico baseado justamente nos residentes mais idosos de Vilnius, que pretendo finalizar e expor após a minha mobilidade.
Este período em mobilidade está a ser mais enriquecedor do que alguma vez previ, tenho conhecido cada vez mais pessoas e as próximas semanas parecem muito promissoras.
Espero voltar para Portugal com muito para contar.
Iki,
Diário de Bordo #2
Fazem quase 3 semanas desde a chegada a Vilnius e a normalidade vai-se lentamente instalando à medida que os dias passam.
Esta quarta-feira foi o Dia da Independência aqui na Lituânia, não tendo de ir trabalhar, aproveitei para visitar o Museu de Ocupações e Lutas pela Liberdade para conhecer um pouco mais da história deste lugar.
No passado fim-de-semana aconteceu a Feira Kaziuko que encheu as ruas do centro e da Old Town de pequenas bancas artesanais e roulottes a servir pratos tradicionais. Fui no sábado, com a Marielle, minha colega de casa e com as minhas colegas ETIC, Catarina e Matilde, explorar e apoiar os negócios locais. Mais tarde, aproveitei para ir novamente explorar o lado noturno da cidade e conhecer pessoas novas.
No trabalho, tenho trabalhado na correção de cor de uma série de TV com mentoria do meu chefe Karolis, que me tem guiado no seu processo de color grading. Ao fazer as correções preliminares de todos os episódios, tenho exercitado o meu olho e familiarizado com os softwares e ferramentas. Nestas próximas semanas irei pegar num projeto de dança contemporânea e fazer o processo de grading do início ao fim. O escritório é muito sossegado e acessível a partir do meu apartamento e tem todas as ferramentas necessárias para o bom desenvolvimento do meu trabalho.
Em casa, tudo continua harmonioso com os meus dois colegas de casa, Marielle e Miguel. Normalmente jantamos às mesmas horas e passamos muitas noites a jogar cartas e a conversar. Já conhecemos minimamente os hábitos de cada um, pelo que não houve quaisquer confusões nesse aspecto. Os verdadeiros culpados do ruído acabaram por ser os corvos que permeiam as ruas e que insistem em barulhar durante a noite.
Nas próximas semanas pretendo ir visitar outra cidade, tanto na Lituânia como em algum dos países vizinhos.
Iki.
Diário de Bordo #1
Após um voo curto, mas turbulento, aterrei em Vilnius, Lituânia; que sente o inverno mais frio dos seus últimos trinta anos.
Esperava eu conseguir escapar aos graus negativos tendo chegado em finais de fevereiro. Qual foi a minha surpresa ao avistar longos quilómetros de gelo pelas ruas, à medida que o avião turbulento se aproximava do chão.
Por sorte a minha, não foram os -2 graus que marcaram a minha chegada mas sim o desaparecimento da minha bagagem que nem me permitiu processar o frio que estava.
Os meus primeiros três dias foram então marcados pela procura da desaparecida mala que, por sorte, tinha um dispositivo de localização dentro dela. Percorri a cidade inteira em busca dela e, com todas estas voltas, acabei por me familiarizar com os espaços, as ruas, a língua e expressões, com as rotas de autocarro, com os supermercados…Diria que estou perto de me tornar um local.
A mala acabou por aparecer, e estando este assunto arrumado, consegui finalmente respirar o ar seco e ardente da cidade e começar a pensar no que serão estes próximos 3 meses em mobilidade.
A integração na casa e na empresa está a ser suave e gratificante e o sol já espreita de vez em quando, agora que nos aproximamos da chegada da primavera.
Apesar desta caótica introdução, o futuro já se mostra promissor e acho que tal como a primavera, irei prosperar aqui.
Iki.

















