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    André
    Lino

    Film and Television
    Post Coast
    📍VILNIUS, LITUÂNIA

    Diário de Bordo #7

    Esta semana, a caminho de casa, eu e a Marielle, minha colega de casa, deparámo-nos com um pequeno pássaro magoado à beira da estrada. Não havia sinais aparentes de dano, mas ele parecia não conseguir ficar de pé e seguir rumo. Os seguintes 20 minutos foram passados naturalmente a tentar ajudá-lo, mas, apesar de muito esforço, ele continuava no mesmo estado. Decidimos deixá-lo na esperança de que se conseguisse eventualmente desenrascar, mas bastou virarmos as costas para surgir um corvo e levá-lo consigo. Testemunhámos então o nosso novo amigo a ser despenado sem dó a 5 metros de nós. Não se falou de outra coisa o resto do dia.
    Trago esta história para o meu último Diário de Bordo pois sinto que, de uma forma meio macabra, me relembrou da imprevisibilidade do futuro, de que não há mesmo forma de o controlar ou de saber o que nos trará.
    Antes de vir para a Lituânia questionei-me vezes sem conta sobre se estaria a fazer a escolha certa, se estava pronto para uma mudança de vida tão radical, se me iria arrepender ou querer voltar atrás. E hoje só consigo imaginar o quanto teria perdido se não tivesse aceitado este desafio do qual tinha tanto receio de seguir. Acho que tenho vindo a aprender que não há muito sentido em teimar com a escolha “certa”, todas as escolhas nos vão levar a um lugar diferente e todos esses lugares serão positivos no seu modo.
    Estes últimos dias têm sido incríveis, sinto que aproveitei bem as minhas últimas semanas nesta cidade e guardo imensas boas histórias deste período de mobilidade. Mesmo assim, despedidas são difíceis para todos, custa-me ver o frigorífico a esvaziar-se aos poucos e acabar de fazer a mala de viagem, pois relembram-me do pouco tempo que me resta, mas estou entusiasmado para voltar para casa.
    Em termos de trabalho, o meu balanço é extremamente positivo. Desenvolvi as minhas capacidades de forma muito substancial na área de Color Grading e sinto-me pronto para assumir mais projetos como freelancer neste departamento. Em princípio, continuarei em colaboração com a empresa, em projetos pontuais, o que me indica que o meu chefe realmente gostou do meu desempenho, o que me orgulha imenso.
    Saio desta experiência ERASMUS+ com um enorme sentido de independência e com a sensação de que se abriu uma nova porta no meu percurso profissional.
    Não sei se alguma vez voltarei. Se voltar, não será pela sopa de beterraba, com a qual não me identifiquei, apesar de ser o grande símbolo do país.
    Levo comigo novos amigos, boas memórias, novas capacidades, algumas palavras mal ditas e pelo menos 3 rotas de autocarro memorizadas.
    Viso gero Vilnius!

    Diário de Bordo #6

    Ao me aproximar do fim deste período de mobilidade, tenho voltado aos meus sítios preferidos na cidade, com amigos ou só, num esforço para mantê-los na minha memória após partir. Apesar de já sentir saudades de Lisboa, esta cidade tem uma energia muito própria da qual sentirei falta; a sua introversão traz um charme que não antecipei.
    Aproveitei também para dar um saltinho no país vizinho no 1º de maio. Fui a Riga, capital da Letónia, com a Jordana, colega da ETIC Algarve de autocarro. Passámos um dia solarengo por entre os edifícios altos e detalhadamente ornamentados. Achei cultural e linguísticamente muito semelhante à Lituânia, o que faz sentido devido à sua proximidade.
    Este fim de semana no centro, houve novamente um mercado artesanal, que chegou na altura perfeita para completar a compra de souvenirs para os mais chegados. Tenho conseguido ter várias interações apenas em lituano nestes contextos de comércio, já me tendo familiarizado com certas expressões. Devem achar que sou rapaz de poucas palavras, mas pelo menos passo por local.
    Nestas próximas semanas na empresa, estarei a desenvolver trabalho ainda com alguma intensidade. Já se levantou a possibilidade de continuar a trabalhar remotamente em projetos pontuais quando voltar a Portugal. Admito que não era algo que antecipei, mas estou entusiasmado para ver o que o futuro reserva.
    Tenho mais 16 dias para espremer o sumo que resta deste lugar, portanto, tentarei preencher cada dia com boas memórias.
    Viso gero!

    Diário de Bordo #5

    Está a mostrar-se impossível não mencionar o clima em todas as entradas do Diário de Bordo, mas é de facto algo parecido a uma lotaria aqui em Vilnius. Hoje começou a nevar, após umas boas horas de sol radiante. Se soubesse, teria saído de casa mais preparado…Mas no geral tem estado menos frio, felizmente. Mesmo assim, continuo com esperança de que para a semana melhore.
    Não trago grandes notícias destes tempos, sendo que já está tudo minimamente estabilizado. Completei alguns projetos no trabalho que vão valorizar imenso o meu portfólio e noto já um progresso enorme nas minhas capacidades,desde que comecei.
    Celebrámos o aniversário da Alex, uma das minhas colegas de casa, com alguns amigos também franceses que estão em Vilnius. Inusitadamente, estou a aprender mais francês do que lituano neste período de mobilidade.
    De resto, mantenho a rotina do costume.
    Estou curioso para ver o que este último mês em Vilnius me trará.
    Iki…ou Au Revoir (?)

    Diário de Bordo #4

    As duas últimas semanas mostraram-se mais atarefadas do que antecipei – a minha empresa mudou de escritório, então tive que dar reset na rotina que tinha estabelecido desde a minha chegada, mudando a rota de autocarro e os horários de acordar também.
    Estamos agora localizados um pouco mais longe do centro de Vilnius, num ambiente mais calmo e natural. Felizmente o caminho de casa ao escritório faz-se tranquilamente.
    Ao mesmo tempo, recebi a minha família que veio visitar na altura da Páscoa, fiz de guia turístico por alguns dias e acabei por visitar com eles uma cidade nova, Traikai.
    Também já se instalou no apartamento a minha nova colega de casa, Alex e a dinâmica entre os três tem funcionado bem.
    Fora do trabalho tenho também conseguido conhecer pessoas novas, seja através das minhas colegas de quarto, dos alunos portugueses em correspondência aqui em Vilnius, ou de pessoas que vou conhecendo no dia a dia. Consegui ir ao cinema, karaoke, explorar uns bares e festas por aqui, aproveitar os descontos nas Humanas, fotografar, desenhar, etc…
    O sol voltou a ficar tímido, mas estou confiante de que à medida que abril se estender, o tempo voltará a melhorar. Nos próximos tempos gostava de aproveitar o bom tempo e explorar as zonas mais florestais daqui
    Iki

    Diário de Bordo #3

    Em contraste com a neve com que me deparei ao chegar, agora é raro o dia em que o sol não brilhe em Vilnius. Tem feito menos frio e já vejo algumas árvores a começar a florir com a chegada da nova estação.
    Nas últimas semanas, tenho desenvolvido trabalho a um bom ritmo na empresa, estando a trabalhar em dois projetos em simultâneo.
    Em casa, um dos meus colegas terminou o seu período de mobilidade e voltou para Portugal, irei ficar apenas com a minha outra colega, Marielle, durante 2 semanas até chegar o nosso novo colega de casa, também de França.
    Este clima mais sorridente motivou-me a ir dar mais voltas pela cidade e começar a conhecer os sítios mais emblemáticos. Fui com alguns colegas portugueses a um Tour pela Universidade de Vilnius que carrega consigo uma história extensa e muito interessante. Também visitei alguns jardins, um mercado local perto de casa e um Flea Market que me fez lembrar a Feira da Ladra, em Lisboa.
    Tem sido interessante navegar as inúmeras línguas que me rodeiam, para além dos ačiū’s (obrigado’s) e os sveiki (olá’s), tenho feito um esforço para comunicar apenas em lituano em interações mais curtas. É um bom exercício que me motiva a me integrar de forma mais profunda na cidade, mesmo que isso signifique estar constrangidamente a praticar como dizer “Ar turite ibuprofeno?” no meio do passeio antes de entrar na farmácia.
    No mesmo tópico também destaco as interações com a população com mais idade que, tendo um nível de inglês muito primário ou inexistente, tenta o seu melhor para comunicar connosco. Comecei também a desenvolver um projeto fotográfico baseado justamente nos residentes mais idosos de Vilnius, que pretendo finalizar e expor após a minha mobilidade.
    Este período em mobilidade está a ser mais enriquecedor do que alguma vez previ, tenho conhecido cada vez mais pessoas e as próximas semanas parecem muito promissoras.
    Espero voltar para Portugal com muito para contar.
    Iki,

     

    Diário de Bordo #2

    Fazem quase 3 semanas desde a chegada a Vilnius e a normalidade vai-se lentamente instalando à medida que os dias passam.
    Esta quarta-feira foi o Dia da Independência aqui na Lituânia, não tendo de ir trabalhar, aproveitei para visitar o Museu de Ocupações e Lutas pela Liberdade para conhecer um pouco mais da história deste lugar.
    No passado fim-de-semana aconteceu a Feira Kaziuko que encheu as ruas do centro e da Old Town de pequenas bancas artesanais e roulottes a servir pratos tradicionais. Fui no sábado, com a Marielle, minha colega de casa e com as minhas colegas ETIC, Catarina e Matilde, explorar e apoiar os negócios locais. Mais tarde, aproveitei para ir novamente explorar o lado noturno da cidade e conhecer pessoas novas.
    No trabalho, tenho trabalhado na correção de cor de uma série de TV com mentoria do meu chefe Karolis, que me tem guiado no seu processo de color grading. Ao fazer as correções preliminares de todos os episódios, tenho exercitado o meu olho e familiarizado com os softwares e ferramentas. Nestas próximas semanas irei pegar num projeto de dança contemporânea e fazer o processo de grading do início ao fim. O escritório é muito sossegado e acessível a partir do meu apartamento e tem todas as ferramentas necessárias para o bom desenvolvimento do meu trabalho.
    Em casa, tudo continua harmonioso com os meus dois colegas de casa, Marielle e Miguel. Normalmente jantamos às mesmas horas e passamos muitas noites a jogar cartas e a conversar. Já conhecemos minimamente os hábitos de cada um, pelo que não houve quaisquer confusões nesse aspecto. Os verdadeiros culpados do ruído acabaram por ser os corvos que permeiam as ruas e que insistem em barulhar durante a noite.
    Nas próximas semanas pretendo ir visitar outra cidade, tanto na Lituânia como em algum dos países vizinhos.
    Iki.

    Diário de Bordo #1

    Após um voo curto, mas turbulento, aterrei em Vilnius, Lituânia; que sente o inverno mais frio dos seus últimos trinta anos.
    Esperava eu conseguir escapar aos graus negativos tendo chegado em finais de fevereiro. Qual foi a minha surpresa ao avistar longos quilómetros de gelo pelas ruas, à medida que o avião turbulento se aproximava do chão.
    Por sorte a minha, não foram os -2 graus que marcaram a minha chegada mas sim o desaparecimento da minha bagagem que nem me permitiu processar o frio que estava.
    Os meus primeiros três dias foram então marcados pela procura da desaparecida mala que, por sorte, tinha um dispositivo de localização dentro dela. Percorri a cidade inteira em busca dela e, com todas estas voltas, acabei por me familiarizar com os espaços, as ruas, a língua e expressões, com as rotas de autocarro, com os supermercados…Diria que estou perto de me tornar um local.
    A mala acabou por aparecer, e estando este assunto arrumado, consegui finalmente respirar o ar seco e ardente da cidade e começar a pensar no que serão estes próximos 3 meses em mobilidade.
    A integração na casa e na empresa está a ser suave e gratificante e o sol já espreita de vez em quando, agora que nos aproximamos da chegada da primavera.
    Apesar desta caótica introdução, o futuro já se mostra promissor e acho que tal como a primavera, irei prosperar aqui.
    Iki.

     

    Everything Is Now.
    Learn. Do. Create.
    BEGIN HERE Get Everywhere.
    Dare To Try.