Diário de Bordo #3
Nestas últimas duas semanas tivemos a oportunidade de explorar mais a cidade, a neve é já quase inexistente e o calor começa a surgir, bem como a manga curta.
Na quarta-feira passada, depois do trabalho, fui jogar à bola para um parque ao pé do centro comercial CUP com a Catarina e o Gonçalo da Etic Algarve, caminhámos bastante na ida e na volta, é uma das coisas que mais adoro nesta cidade, o acesso pedonal fantástico.
No dia seguinte eu, a Catarina e o André, juntamente com o grupo da Etic Algarve, fizemos um tour pela Universidade de Vilnius, que contava a história da própria ao longo das Invasões ao país e ainda pudemos entrar na Igreja presente no pátio da Universidade.
Nesse dia, também vieram a minha mãe e o meu irmão fazer uma visita, fomos com eles no fim de semana ao jardim Botânico da Universidade de Vilnius, um pouco mais distante do centro da cidade. Foi uma experiência muito gira, parte do jardim ainda tinha resquícios de neve incluindo um lago gelado, bem como um jardim japonês muito interessante. No domingo de manhã, antes de eles irem embora, ainda os levámos a ver o Museu de Ocupação e Lutadores da Liberdade, que acharam muito interessante.
Na terça-feira eu e a Catarina tivemos a oportunidade de experimentar um simulador de carros. Um amigo que fizemos da Etic Algarve ia voltar para Portugal de modo que no fim do dia fomos jantar com o grupo todo de Erasmus como forma de despedida.
Este fim de semana fomos com o André e o Gonçalo a duas feiras da ladra perto do centro comercial Akropolis, é interessante ver os objetos vendidos, – havia à venda muitas máscaras de gás, chapéus militares, pins, espadas e facas – mostram como era o país e as coisas que mais marcaram as pessoas ao longo das décadas. Com isto ainda fizemos algumas boas compras de souvenirs para levar para casa.
O trabalho está a correr bem, num dos projetos já vou fazer mais concept art do que tenho feito até agora, o que é ótimo.
Em geral estou a gostar bastante, os projetos são muito interessantes e a equipa é ótima, qualquer dúvida que tenha são rápidos a responder e sempre dispostos a ajudar.
Diário de Bordo #2
Estando a viver em Vilnius há cerca de 3 semanas, já estou mais habituada ao funcionamento da cidade e transportes públicos, que são bastante intuitivos e pontuais. Eles têm um sistema de controlo bastante apertado nos transportes, apanhei mais picas numa semana do que em Lisboa num mês 🙂
O trabalho na empresa está a correr bem, a equipa é fixe, estou a trabalhar em dois projetos diferentes e estou cheia de trabalho, mas é bem gerido e a longo prazo ótimo para portfolio. Durante a semana é mais difícil explorar longe de casa porque estamos cansadas, mas aos fins-de-semana temos ido sair para explorar a cidade.
Já tivemos a oportunidade de explorar um pouco a cidade e assistir a alguns eventos. No início de março – 6 a 8 – houve a feira anual “Kaziuko mugė”, uma feira tradicional da Lituânia que celebra a chegada da primavera. Ramos de flores e artes tradicionais decoravam as tendas brancas espalhadas pelas ruas e praças da cidade, bem como crianças a tocar instrumentos.
Entretanto já conhecemos mais alguns portugueses! No fim-de-semana seguinte, eu e a Catarina fomos com um grupo de rapazes da Etic Algarve – a Catarina trabalha com o Gonçalo na empresa – subir a colina até ao monumento das Três Cruzes. A sua construção deu-se para comemorar a morte de sete frades franciscanos. Apesar da sua história negra, é um marco importante para a identidade da Lituânia e é frequentemente iluminado com várias cores para celebrar outros eventos.
Este fim-de semana, eu e a Catarina fomos visitar a “Lukiškių kalėjimas 2.0” , uma prisão construída no princípio do século XX que albergou prisioneiros de ambas as Guerras e ocupações Nazis e Soviéticas. Durante a visita guiada aprendemos bastante sobre a história da Lituânia e como nos anos 90, após a saída dos soviéticos, houve um período de grande violência de gangues de crime organizado.
Boris Dekanidze, um dos criminosos mais perigosos, foi apanhado e morto graças ao sacrifício de um jornalista que fez dois artigos sobre o mesmo. Dekanidze fugiu e foi apanhado na fronteira e trazido de volta para a prisão, e foi o último prisioneiro a receber pena de morte na Lituânia. A sua morte foi tida como uma mensagem para os outros gangues e possibilitou que o governo tomasse as rédeas do país e evoluísse para o que é atualmente.
Para continuar a funcionar como prisão teriam de se adaptar às normas de segurança da União Europeia. Não valendo a pena o investimento monetário, a prisão fechou em 2019. Hoje serve como centro cultural, espaços da prisão são alugados por artistas para praticar música e no verão há concertos frequentes. Além de que é frequentemente utilizada por empresas como a Netflix para filmagens de séries/filmes, numa das celas foram filmadas algumas cenas de Stranger Things.
Depois da visita à prisão, atravessámos a ponte a pé e fomos explorar a outra margem onde existem prédios mais modernos. Junto à ponte havia um grande espaço com skatepark, campos de basket e parques infantis a abarrotar de pessoas. Vê-se imensa gente a andar de bicicleta e as trotinetes elétricas já são frequentes, toda a cidade é de fácil acesso pedonal, incrível de ver.
No final do dia ainda fomos a um bar bastante acolhedor com imensas mesas de snooker onde ficámos a jogar, era um espaço ainda bastante grande onde havia outros muitos grupos a divertir-se.
Hoje, dia 15, fomos ver o “Okupacijų ir laisvės kovų muziejus”, Museu de Ocupação e Lutadores da Liberdade, que contava a história das ocupações estrangeiras sobre a Lituânia ao longo da história. A quantidade de documentação nas mostras era impressionante de ver, em algumas estavam presentes alguns desenhos realistas feitos certamente por soldados na guerra, bem como fotografias de homens e mulheres fardados e outros objetos pessoais. Sentia-se o clima bastante pesado nas paredes e especialmente nas celas na cave, numa delas foi posto o Putin algemado 🙂
Diário de Bordo #1
Saímos de Lisboa de manhã, passando por Frankfurt e por fim Vilnius, onde vamos passar os próximos 3 meses a trabalhar para empresas que nos ajudarão a crescer enquanto profissionais.
É, sem dúvida, uma nova experiência, começar a trabalhar na área, num país completamente diferente e coabitar com outras pessoas faz-nos crescer mentalmente também.
No dia seguinte reunimos com a Aistė, que nos mostrou alguns pontos turísticos para visitar e explicou como funcionam os transportes públicos, – que devo dizer, são muito pontuais – e de seguida fomos conhecer as empresas.
Ao final da tarde desse dia fui jantar a um bar com parte da minha equipa para nos conhecermos e falar um pouco sobre os projetos a trabalhar.
Até agora tem corrido tudo bem, a cidade é linda, estava à espera de temperaturas mais insuportáveis, apenas ao final da tarde o frio se torna mais severo.
Já fomos explorar os supermercados locais para preparar as marmitas para a semana e alguns equipamentos mínimos que faltavam.
Sábado fomos os três, – eu, a Catarina e o André, – patinar num ringue de gelo num dos centros comerciais locais, o Akropolis, o qual se poderia comparar ao Ubbo, em termos de espaço e lojas. Nesse mesmo ringue de gelo estavam, quando chegámos, duas equipas de miúdos a fazer um jogo de hóquei, que para quem nunca viu hóquei ao vivo, foi muito fixe.



























