Diário de Bordo #3
Nestas últimas duas semanas, o ritmo de trabalho aumentou bastante, e sinto que estou a começar a habituar-me mais à rotina do estágio e ao funcionamento do estúdio.
O trabalho tem sido cada vez mais constante e também mais variado.
Nestes dias fiz alguns high poly sculpts para ajudar o Tiago no ambiente em que ele está a trabalhar. Para além disso, comecei e terminei um personagem chamado Ice Goblin, e neste momento estou a trabalhar num Fire Skeleton.
Neste novo trabalho não estou apenas a fazer texturas, também tive de esculpir alguns cornos para o modelo, o que trouxe um desafio diferente. Tem sido interessante porque me obriga a pensar não só na parte visual, mas também em como criar um modelo que se encaixe bem no pipeline atual do jogo e nas necessidades da equipa.
Sinto que estou a ganhar mais confiança no trabalho e também a perceber melhor como adaptar o meu processo ao tipo de produção do estúdio.
Visita ao Museu Nacional de História Natural
Durante este período, também fui ao Museu Nacional de História Natural com a Lyubomira e os outros estagiários. Ela convidou-nos para fazermos uma pequena sessão de desenho lá, o que achei uma ideia muito gira.
No entanto, depois de começar a explorar o museu, acabei por quase não desenhar porque estava demasiado interessado em ver tudo. Acabei mais por tirar fotografias do que por fazer sketches, embora ainda tenha conseguido desenhar um pouco.
O museu tinha três pisos e foi uma das visitas mais interessantes até agora.
No primeiro piso havia sobretudo rochas e cristais, com informação sobre a composição química de muitos deles e também sobre a sua origem. Achei essa parte especialmente interessante porque não estava à espera de ver tanta variedade.
No segundo piso estavam expostos animais de menor dimensão, como aves, répteis, anfíbios e pequenos mamíferos. Os animais estavam todos embalsamados, o que tornava a exposição bastante impressionante e ao mesmo tempo um pouco estranha.
No terceiro piso estavam os animais maiores, como bisontes e rinocerontes. Foi provavelmente a parte mais marcante do museu, pela escala das peças expostas.
No geral, foi um museu muito bom e uma visita que gostei bastante. Tirei muitas fotografias e ainda consegui fazer alguns sketches, o que tornou a experiência ainda mais interessante.
Convívios com a equipa
Também têm havido alguns dias em que as pessoas do trabalho nos convidam para jantar ou conviver depois do horário de trabalho, o que tem sido muito positivo para a integração.
Num desses dias fomos a uma pizzaria muito agradável e, depois disso, passámos pelo estúdio de UI/UX do irmão do patrão, onde iam fazer um convívio e jogar alguns party games.
Mais tarde, ainda fomos a um restaurante tradicional, onde também havia música tradicional ao vivo. Foi uma experiência muito boa porque permitiu não só passar mais tempo com a equipa, mas também conhecer melhor o ambiente cultural da cidade e alguns aspetos mais locais da Bulgária.
Reflexão
Tem sido uma fase bastante positiva do estágio. O trabalho está a ser divertido, desafiante e sinto que estou realmente a aprender com as tarefas que me estão a ser dadas.
Ao mesmo tempo, também tem sido muito bom sentir que estamos a ser incluídos em atividades fora do trabalho, porque isso ajuda bastante a criar uma ligação mais natural com as pessoas do estúdio.
Entretanto, tínhamos planeado ir à montanha com toda a equipa do escritório, mas o tempo começou a piorar e nesta última semana começou a chover, por isso esses planos ficaram em espera.
Mas continua a ser uma experiência muito boa, tanto a nível profissional como pessoal.
Diário de Bordo #2
Nestas semanas não houve muitas coisas diferentes a acontecer.
Começámos a entrar mais no ritmo de trabalho do estágio, o que acaba por não deixar muito tempo livre durante a semana para fazer outras atividades.
Começámos também a trabalhar mais diretamente nos projetos da empresa. Já fomos introduzidos nas tarefas reais do estúdio e cada um de nós está a trabalhar em coisas diferentes dentro dos projetos.
Eu fiquei encarregue de fazer a textura de um inimigo para um dos jogos para os quais o estúdio está a produzir assets. O inimigo era um esqueleto de gelo. A textura já está praticamente terminada, mas ainda está em fase de aprovação por parte do cliente, por isso às vezes recebemos feedback e temos de fazer alguns ajustes.
Também já me sinto mais confortável com as outras pessoas do estúdio e com o ambiente de trabalho em geral, e sinto que estou a aprender bastante com esta experiência.
Primeiro fim de semana
No primeiro fim de semana fomos visitar o jardim botânico de Sofia. A ideia era vermos as árvores antes de darem flor, para depois podermos compararmos quando formos colocar as pulseiras da tradição da martenitsa.
Dentro das estufas estava muito calor, ao ponto de o telemóvel às vezes desligar a câmara por causa da temperatura, mas mesmo assim consegui tirar bastantes fotografias das plantas.
Foi um passeio interessante e também uma boa oportunidade para explorar um pouco mais a cidade.
Segundo fim de semana
No segundo fim de semana visitámos a Patriarchal Cathedral St. Alexander Nevsky. Quando chegámos estava a decorrer uma missa ortodoxa, e foi muito interessante ouvir o coro dentro da catedral. O espaço é muito bonito por dentro e tem uma atmosfera bastante diferente das igrejas a que estou mais habituado.
Depois, passeámos um pouco pelo centro da cidade, mas havia mesmo muitas pessoas, o que tornou o passeio um pouco mais confuso.
Também fomos ao National Archaeological Museum. O museu não tinha muitas coisas diferentes do que já tinha visto noutros museus, mas mesmo assim foi interessante visitar e conhecer um pouco mais da história local.
Para terminar o dia, fomos comer um gyro grego, que é parecido com uma pita recheada com carne, legumes e batatas fritas. Foi uma refeição simples mas muito boa.
Reflexão
De forma geral, o estágio está a correr bem. O maior desafio tem sido mesmo a gestão do tempo durante a semana, porque os dias passam muito rápido entre o trabalho e as tarefas do estágio.
Mesmo assim, tenho tentado aproveitar os fins de semana para explorar a cidade e conhecer um pouco mais da cultura e dos locais de Sofia.
Diário de Bordo #1
Chegámos a Sofia depois de dois voos longos e, assim que aterrámos, apanhámos o metro diretamente para o Airbnb que tínhamos reservado.
A primeira impressão da cidade foi curiosa: os passeios eram bastante irregulares e mudavam de estilo de poucos em poucos metros. Achei engraçado esse contraste urbano — parecia que cada rua tinha pequenas histórias diferentes.
Depois de chegarmos ao apartamento, instalei-me e explorei a casa para perceber onde estava tudo. No entanto, o cansaço acumulado da viagem falou mais alto e acabei por adormecer quase imediatamente no sofá. Fui dormir por volta das 19h.
Primeiras experiências e primeiro dia de estágio
Antes de irmos para o estágio, passámos por uma pastelaria local onde provámos duas especialidades típicas: bosa e banitsa. A experiência foi mista — a banitsa foi uma boa surpresa, bastante saborosa, mas a bosa foi o oposto. O cheiro intenso, que me lembrava feijão fermentado, acabou por me acompanhar durante grande parte do dia. Foi definitivamente a primeira e última vez que a provei.
No estúdio conhecemos a equipa: o Martin (patrão), a Lyubomira, o Plamen, a Ana Maria e o outro estagiário, Julen, que é espanhol. Foram todos muito atenciosos desde o primeiro momento. Deram-nos várias sugestões de sítios para comer nas redondezas e explicaram-nos o funcionamento geral do estúdio.
Depois de analisarmos alguma documentação interna da empresa, fomos todos almoçar juntos. Foi uma boa oportunidade para quebrar o gelo e conhecermo-nos melhor.
No estúdio já tinham tudo preparado para nós, o que facilitou bastante a adaptação. Explicaram-nos os workflows da empresa e alguns cuidados a ter com os equipamentos e projetos.
Saímos por volta das 18h e passámos no Lidl para fazer compras. No entanto, o Tiago tropeçou e magoou-se, e ainda por cima o telemóvel dele partiu-se na queda. Acabámos por não conseguir fazer todas as compras planeadas
Onboarding e adaptação
Continuámos o processo de onboarding, lendo documentação e tentando perceber melhor os métodos de trabalho da empresa. Na hora de almoço, o Plamen foi connosco buscar comida e comemos no estúdio. O espaço tem uma pequena cozinha onde podemos fazer chá ou café, o que nos dá mais espaço para esticar as pernas de vez em quando.
Começámos também a sentir-nos mais integrados no ambiente de trabalho e a ganhar maior confiança com os processos.
Aniversário e costumes locais
Na sexta-feira fiz anos, mas esqueci-me de mencionar isso à equipa. Coincidentemente, nesse dia estava marcado um convívio com antigos estagiários que ainda se encontravam na Bulgária.
Fomos todos a um restaurante-bar para jantar e conversar. No caminho, a Ana Maria falou-me sobre um costume tradicional búlgaro chamado martenitsa. Trata-se de uma tradição celebrada no dia 1 de março, em que se oferecem pulseiras ou pequenos bonecos vermelhos e brancos chamados Pizho e Penda a pessoas próximas. Devem ser usados até as árvores florescerem ou até se avistar uma cegonha. Normalmente são usados como pulseiras ou pins.
Achei a tradição bastante interessante, sobretudo pela ligação à natureza e à chegada da primavera.
Centro comercial e integração cultural
No dia seguinte fomos ao centro comercial tratar da reparação do telemóvel do Tiago. Aproveitei também para comprar alguns pins de Pizho e Penda para oferecer às pessoas do estúdio, como forma de participar na tradição local.
Reflexão até ao momento
Tem sido uma experiência muito interessante estar na Bulgária. A cidade tem algumas diferenças curiosas em relação a Portugal — há poucas passadeiras e muitos túneis subterrâneos para atravessar as avenidas principais.
A adaptação tem sido positiva, tanto a nível profissional como cultural. O estúdio recebeu-nos muito bem e sinto que esta experiência vai ser importante não só para o meu crescimento técnico, mas também pessoal.






















